Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Gay Talese no Brasil

É atrás dessa frase cravada em um pequeno cartaz no centro no teatro do Museu de Arte de São Paulo, iluminado por canhões de luz, que centenas de pessoas lotaram as confortáveis poltronas de ponta a ponta. Alguns se expandiam para os espaços laterias e por lá ficavam. O amplo teatro no subterrâneo une equipamentos modernos como os aparelhos de tradução simultânea as rústicas paredes da construção. Mesmo com as portas já fechadas, uma fila ainda se contorcia e dava voltas no vão livre do Masp. Todos na esperança de ouvir algumas palavras do consagrado repórter do The New York Times, Gay Talese.

Para profissionais de comunicação, Gay Talese dispensa apresentações. Considerado a pai do “new journalism”, que utiliza técnicas descritivas do romance com a realismo das personagens, deu uma verdadeira aula de jornalismo para alunos, profissionais e amantes da literatura.

Aos 77 anos, entrou no palco ao som de palmas contínuas. Com andar calmo, exibiu seu terno alinhado, sapato bicolor e um olhar admirado diante da plateia. Sorriu. Repousou o chapéu sobre uma pequena bancada ao centro e prosseguiu o restante da noite com as pernas cruzadas e mãos levamente gesticulantes. Silêncio total. Olhos e ouvidos atentos. A palavra é dele. Voz doce, firme e precisa.

Com mais de 50 anos de carreira, fez um passeio por seus trabalhos e relembrou a primeira matéria que escreveu nas modernas máquinas de escrever da redação do NY Times na década de 30. Aos 19 anos, o então entusiasmado “faz tudo” do jornal não imaginava que sua curiosidade e percepção lhe trariam tantas glórias. Seu primeiro personagem: um letrista do jornal que tinha por função escrever as notas que passavam no letreiro luminoso ao lado externo do prédio. Para Gay Talese, o simples trabalho era a oportunidade perfeita. Mergulhou por algumas horas na vida do trabalhador, perguntou as curiosidades, fatos marcantes e começou assim a traçar o perfil do entrevistado. Pediu emprestado uma máquina, sentou e redigiu. Tal folha caiu nas mãos do editor que publicou a matéria. Ainda sem assinatura. Mas estava impressa.

Das batidas fortes e barulhentas das máquinas que mais pareciam caixas registradoras, aos teclados delicados de um computador, o estilo de Gay Talese não se perdeu, pelo contrário, ganhou mais características e força. Ganhou o respeito e admiração. “Nos meus trabalhos, sempre começo algo com a descrição de algum lugar, de alguma pessoa. Procuro transformar palavras em imagem. Como se o leitor estivesse vivendo o mesmo fato a medida que eu os vejo”, declara.

Em diversos pontos da palestra relembrou a essencia de um jornalista: revelar a verdade. “O bom jornalismo é feito de verdade tanto quanto se pode chegar perto dela”. Outra base importante para conseguir uma boa história está na educação, na cortesia do profissional, na capacidade dele em conquistar a confiança do entrevistado para que possa ir fundo, cercar os detalhes e redigir com entusiasmo.

Gay Talese tem um olhar diferente. Uma curiosidade, como gosta de dizer. Ao cobrir uma luta de boxe, preferiu desvendar a vida do juiz. Ao reportar uma final de jogo de baisebol, optou contar sobre os trabalhadores que cuidadam da grama. Até os pedintes de rua e uma enorme fila para comprar calças jeans não escapam ao seu olhar. O velho bloquinho e uma caneta são seus companheiros.

O jornalista ainda fez questão de dizer que sua visita ao Brasil, a convite da FLIP (Festa Literária de Paraty/RJ), que aconteceu na última semana, foi supreendente. Ficou emocionado ao presenciar uma enorme quantidade de pessoas em uma feira exclusiva de obras impressas. “Eventos como esse, com essa proporção, não acontecem em Nova York e nem em Washigton. Em nenhum outro lugar”. Cerca de duas horas depois, todos continuam atentos. Parecem não piscar. Ficariam por mais quantas horas fossem necessárias. É preciso encerrar. Mais aplausos.

Sábado, 4 de Julho de 2009

...então RODA BRASIL!

Noite fria em São Paulo. O vento gelado que recorta as ruas traz de longe um aroma quente de sabor temperado e barulhento. A música alegre ultrapassa a lona do Circo Roda Brasil, instalado no Memorial da América Latina. Luzes e cores estão por toda parte. No centro do picadeiro a platéria é convidada e mergulhar no Oceano e viajar pelo encanto do espetáculo nas águas mais profundas que jorram magia e diversão.

Oceano é o nome do novo espetáculo do circo intinerante que percorre diversas cidades brasileiras. O grupo, que tem parceria com Parlapatões e Pia Fraus, une a arte teatral com os tradicionais números circenses. Crianças, jovens e adultos compartilham por alguns momentos da mesma liberdade.

O mergulho pelas curiosidades da vida marinha começa com a imaginação de uma criança que brinca em uma banheira. Atrás de seu patinho de borracha ela viaja entre os seres mais medonhos e iluminados, pelo voo dos acrobatas, pela dança com cordas, pela força do equilibrismo e pelo balé aquático. Durante a exibição, pitadas de palhaçadas não faltam. Das mais tradicionais aos improvisos, os aplausos tomam conta do espaço. Uma discreta homenagem ao Rei do Pop com sapatões, calça colorida e maquiagem no rosto chama a atenção. Mais aplausos.

Uma novidade do espetáculo são as rampas de patinição onde são exibidas apresentações radicais. Bonecos infláveis, projeções e efeitos especiais se somam aos artistas que se revezam no palco. A trilha sonora exibida ao vivo traz ritmo e intensidade ao espetáculo. Oceano leva cada espectador a deixar de lado a imensidão da cidade e mergulhar na arte do riso.

Domingo, 21 de Junho de 2009

DESABAFO

Por Yara Verônica Ferreira

Entrei na faculdade de jornalismo já na maturidade. Se eu acreditasse mesmo que um jornalista hoje pudesse ser jornalista sem dimploma, não teria feito esse curso.

Vamos aos itens que vejo importantes abordarmos:

- sobre política e economia: realmente um sociólogo, uma pessoa formada em política e relações internacinais, um economista ou outros especialistas, talvez possam escrever melhor que nós jornalistas sobre o tema, mas a minha experiência com alguns profissionais dessa área e até mesmo de leitura de artigos escritos por essas pessoas, demonstrou que nem todos sabem escrever numa linguagem entendível por todos, porque estão presos ao "modus academics". Linguajar acadêmico muitas vezes confunde o leitor, que não terá um tradutor ao seu lado para compreender o que leu;

- sobre medicina, então, digo o mesmo. Não adianta dizer que a pessoa tem “ascaris lumbricoides”, tem que se explicar o que isso causa no organismo, formas de transmissão etc, e, nem sempre o médico consegue passar aos pacientes tudo o que ele deveria saber, quem dirá aos leitores. Portanto, pergunto: que médico está apto para responder a todas as questões que os pacientes e leitores desejam saber, se não lhes fizerem as perguntas que não calam em nossas bocas de jornalistas?

- para esses casos citados, acho que podem sim escrever sobre o tema, mas não como jornalistas, como articulistas talvez, mas volto a lembrar que ainda assim, muitos leitores precisam de tradutores.- não levando em consideração temas específicos das áreas dos outros, como citei acima, mas pensando em rádio e TV, a pergunta é: algum de nós chegou na faculdade pronto para enfrentar microfones e câmaras? Aprendemos sozinhos a fazer tudo? Os professores realmente não nos serviram de nada? Entonação de voz, postura perante as câmeras, formas de se escrever notícias para rádio e tv, que é bem diferente do jornalismo escrito para leitura em jornais, revistas e sites.

- pensando no passado bem distante, dizem que muitos jornalistas aprenderam com outros jornalistas, conheci o Zé Alencar(já falecido) que viveu essa experiência, mas ele mesmo chegou a me dizer que hoje as redações vivem outros tempos, ninguém tem tempo de ensinar ninguém. Vejam as vagas por aí, há anúncios que pedem experiência anterior até para estagiário, então como podem achar que é só querer ser jornalista, bater lá na porta das redações, TVs, rádios e dizer quero ser jornalista basta?

- Vi muitos colegas de faculdade e até mesmo já formados com dificuldades para criar uma pauta, para escolher um tema para reportar, portanto, se fosse fácil ser jornalista, ninguémm teria esse tipo de dificuldade;

- via amigas e amigos passarem dificuldades em arrumar emprego na área por não terem experiência na área de jornalismo e, se nem tendo curso de jornalismo, encaixar-se na área está fácil, quem diria sem curso.

- duvido que as empresas contratarão alguém que não tenha curso de jornalismo e nenhuma experiência na área.- até para arrumar um simples freela eles pedem experiência em alguma coisa!!!! Cadê o povo que achou que não tem que ter diploma, nem aprender nada para ser jornalista? Será que eles vivem mesmo na mesma terra que nós? Será que souberam avaliar todos os prós e contras?

- Li no Comunique-se que o Deputado Miro Teixeira o PDT do RJ já está se movimentando para criar um projeto de lei para regulamentar nosso diplominha, mas na verdade, acho que a movimentação deveria ser outra dos deputados, deveriam era lutar para que revogasse essa lei insana da queda do diploma.Cada um de nós pode refletir e ver o que mais podemos fazer para nos defender, já que temos um sindicato e um órgão de classe que são fracos o suficiente para deixar isso acontecer. Queria ver se eles tentassem fazer isso com a OAB!

Vamos fazer um movimento forte, mas tem que ser em todos os meios de comunicação, só passeata não resolve.Todos nós poderíamos escrever para todos os deputados e perguntar se o governo vai pagar tudo que gastamos para nos formar e se eles realmente entendem a importância de um cursos de jornalismo, que pelo que eu saiba, foi criado justamente devido a mudança dos tempos e a necessidade de se ter profissionais de gabarito no mercado.Quem topa fazer manifesto aos nosso governantes, órgão sindicais, órgãos que se dizem protetores da imprensa?

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Entre pranchas e lençóis

Filme gay quebra modelos tradicionais e leva um novo sentimento para as telas


Foi em um cenário com belas praias, corpos esculpidos e pôr do sol radiante que o estreante diretor Jonah Markowitz apresentou o longa De Repente, Califórnia (Shelter) com um novo olhar no submundo masculino do surf e do skate. Ele retira as cenas comuns, tão repetidas em filmes praianos, as paixões repentinas e vai mais a fundo. Provoca arrepios aos desavisados. Trabalha de forma sútil a descoberta de um sentimento guardado, a compaixão e a paixão entre dois jovens amigos.

O surfista Zach, interpretado por Trevor Wright, é um jovem que sonha em entrar na escola de artes, mas deixa esse ideal de lado para se dedicar à irmã Jeanne (Tina Holmes) e ao sobrinho de 5 anos Coldy (Jackson Wurth). Morando em uma simples casa e trabalhando duro em uma lanchonete, Zach começa a mudar sua vida quando reencontra seu amigo de infância Shaun (Brad Rowe), agora escritor e bem de vida.

Ao enfrentar os próprios sentimentos, Zach descobre em Shaun seu ponto de apoio, um refúgio para a vida e questionamentos. Ambos se apaixonam e vivem juntos momentos únicos de desconbertas e desafios. O jovem surfista se vê responsável pelo sobrinho, uma vez que a irmã não tem condições estruturais e psicológicas de cuidar do menino, até abandoná-lo por uma emprego melhor.

De Repente, Califórnia aborda com respeito e simplicidade o envolvimento entre dois homens. A história entra nos cinemas sem ser piegas. Cenas musicais com belas imagens se aproximam dos vídeosclipe. O roteiro sem grandes impactos, torna a trama linear, ao mesmo tempo em que cutuca questões polêmicas na sociedade: a união homossexual e a criação de um menino por um casal do mesmo sexo.

O filme desconstrói tradicionais modelos de sociedade e família como pai, mãe e filhos, mostra a importância em acreditar nos sonhos, nos sentimentos verdadeiros e na liberdade de escolha. Ele não tem como objetivo levantar bandeiras e julgar ideias de comportamentos e pensamentos. Quem espera cenas quentes não vai encontrar. É uma história de amor como outra qualquer. A ousadia do diretor está na troca de olhar e no enlace de dois corpos masculinos.

Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

Essa rua tem saída

Trabalhos artísticos de pessoas em situação de rua ganham
vida e derrubam preconceitos


O que é arte para você? Desde os primórdios a arte acompanha o homem em sua evolução. Em todas as épocas, ela capta percepções, emoções, ideias, sentimentos e se tornam um espelho do mundo no qual vivemos. Ela está em museus, galerias ou nas ruas. Tem o poder de transformar e unir. No mês passado, a Pinacoteca do Estado de São Paulo mostrou a essência da arte na exposição “Convivência”, que reuniu trabalhos de 30 pessoas em situação de rua, frequentadores de duas casas de convivência do centro da cidade: a Casa de Oração do Povo da Rua e a Casa Porto Seguro.

No exuberante prédio da Pinacoteca, o museu mais antigo do país, construído em 1905, com seus tijolos à mostra carregados de cultura que se espalha pelas galerias e salas, entre o rústico e o moderno, os trabalhos expostos ficaram lado a lado às obras de grandes artistas nacionais e internacionais. Os 140 trabalhos, entre desenhos, colagens, gravuras, técnicas gráficas e xilogravuras, foram realizados durante as oficinas semanais de arte promovidas pelo Programa de Inclusão Sociocultural (PISC) do Núcleo de Ação Educativa do museu em parceria com as casas de convivência, além de visitas educativas regulares ao museu. Nesse período foram realizados cerca de 50 encontros com cada grupo.

“Para nós a mostra representa uma grande satisfação e uma conquista, além de ser a primeira exposição educativa que fazemos, demonstra também um desejo da instituição de se abrir e trabalhar com grupos menos favorecidos, reforçando seu caráter público”, relata Gabriela Aidar, coordenadora do projeto.

A mostra recebeu o título de “Convivência” com o objetivo de questionar os muros invisíveis da sociedade, criar vínculos de identidade, autopercepção e autoafirmação, além de aproximar o museu a essas pessoas com suas particularidades e dificuldades. Segundo Gabriela, a exposição mostrou que os museus podem e devem estar abertos a toda a sociedade.

Foi na Oficina Escola de Arte e Luz da Rua, localizada algumas quadras da Pinacoteca, que Vera Regina Corrêa aprendeu a trabalhar com madeira, papel e tinta. “Jamais imaginava que da madeira pudesse sair uma flor tão linda”. Aos 59 anos, com um rosto marcado e de sorriso fácil, Vera passou 15 anos pelas ruas da cidade. Ao entrar pela primeira vez na Pinacoteca para conhecer o local onde as obras ficariam expostas ficou maravilhada com a grandiosidade do espaço. “Nunca tinha entrado. Nem passado pela porta da frente. É uma maravilha. Acho que esse trabalho mostra que as pessoas mais humildes também têm muitas coisas para ensinar.”

A cada visitante um olhar misterioso e surpreso paira sobre as obras. Devidamente enquadradas com molduras e vidros, elas ganham novos horizontes e provocam uma mudança no pensamento. Dispostos pelas paredes, as luzes mostram um a um em todos seus detalhes. As assinaturas traçadas a mão apresentam o autor e fazem renascer uma identidade esquecida pelo tempo.

Vicente Augusto e Sandra Maria Rodrigues também tiveram seus trabalhos expostos. “Foi muito importante ver os trabalhos na Pinacoteca. Isso mostra que podemos quebrar barreiras. Foi uma nova oportunidade, um desenvolvimento de vida”, afirma Vicente. Com tantas dificuldades que já passou pela vida, Sandra se orgulha em ter aprendido a realizar os trabalhos artísticos. “Se não fosse a oficina, nunca teria condições que fazer o que fiz. Foi uma ótima experiência”.

“Essa rua tem saída” são os dizeres da faixa de entrada na Oficina das Artes. A frase reflete toda ação de ressocialização que os trabalhos alcançam. Revela como a arte provoca mudanças na sociedade, como dar voz aos produtores e uma transformação na mente e no coração de cada novo artista que já teve a rua como companheira. Cabe aqui um lema espalhado pelo grupo teatral de rua, o “Farândula Troupe”: “a arte não muda o mundo. A arte muda o homem. O homem muda o mundo.”

Domingo, 31 de Maio de 2009

Passo a Passo

Das noites recheadas de serenatas junto com o grupo Trovadores Urbanos ao trabalho solo, Bruna Caram busca seu espaço dentro da MPB

Dizem que talento se nasce com ele ou se constrói ao longo da vida. No caso da cantora Bruna Caram, as duas opções são válidas. Antes mesmo de nascer seu destino estava traçado. Seu bisavô, no auge dos 98 anos cantarolava e batia palmas explicando que a música era uma das coisas maravilhosas da vida. Sua avó, Maria Piedade, era cantora de rádio nos anos 50 e seu avô, Jamil, violinista, sempre promoveu rodas de choro. Bruna Caram, portanto, cresceu e aprendeu a magia da arte musical nos saraus familiares.

Seu primeiro trabalho solo está no cd “Essa Menina”, lançado em 2006 pela Dabliú Discos. Todas as composições são de Otávio Toledo em parceria com o letrista Costa Netto. Fã de Elis Regina, Ella Fitzgerald, Edith Piaf, Camille e Maria Bethânia, ela mostra com talento e sensibilidade suas interpretações e o porquê é considerada uma das jovens revelações da MPB. “Esse trabalho me surpreendeu, vem me surpreendendo diariamente através de mensagens, e-mails e presença nos shows. Não esperava que me abrissem o espaço que abriram e fico emocionada e "desafiada" a fazer cada vez melhor,” revela Bruna Caram. Tão logo lançou “Essa Menina”, a música “Palavras do Coração” despontou entre as mais tocadas nas rádios especializadas em MPB. No Japão, onde seu cd saiu no ano passado pela JVC, a faixa título “Essa Menina” ficou entre as 50 músicas mais tocadas da rádio J-Wave, a maior daquele país.

Foi aos oito anos que a cantora começou a aprender piano e aos nove já era uma das cantoras do Trovadores Mirins, versão infantil do conceituado grupo paulistano Trovadores Urbanos. Na juventude, por cerca de quatro anos, Bruna Caram integrou o próprio Trovadores Urbanos, no qual aprendeu, além da qualidade vocal, a ter jogo de cintura para enfrentar as mais variadas situações nas serenatas que realizava. “Numa serenata, por mais que tudo dê errado, é preciso fazer com que dê certo. Aprendi a não sentir vergonha, a me conectar com os músicos, a me ligar profundamente com as pessoas pelo olhar. Aprendi inclusive a decorar músicas rapidamente, comecei a ter noções de voz e treinei mais a afinação”, diz a cantora. “Além disso, sou fã dos Trovadores, acho um trabalho excepcional e emocionante, e meu sonho é ganhar uma serenata (risos!)”.

Com cabeça no lugar, Bruna Caram busca seu espaço passo a passo. Das influências, preserva as mais puras lembranças do consagrado compositor e cantor Dorival Caymmi. “Dorival Caymmi... nem posso falar nele, senão choro. Meu avô era o maior fã dele, quase todo dia cantava ‘Maracangalha’ e ‘Fiz Uma Viagem’, e a música ‘João Valentão’ era quase que seu tema de vida, até hoje não escuto mais essa música porque me emociona...”, conta Bruna. “Tem uma que acredito ser do Caymmi, que cantarolei uns trilhões de vezes outro dia, diz: ‘Todo mundo no mundo tem amor, tem seu bem... Pra esse canto do mundo, só o meu que não vem...’. Tão simples e tão lindo isso! Caymmi é um rei.”

Planos para o futuro: “Cantar até não poder!”. Com profissionalismo e dedicação Bruna Caram aos poucos vai conquistando seu espaço dentro do cenário musical, cada dia mais concorrido. “É preciso muita garra e muito jogo de cintura para lidar com isso, mas também a gente não precisa pirar. Tenho muitos amigos que são artistas jovens hoje no Brasil, muitas das "novas cantoras da MPB" inclusive, e a dificuldade não nos afasta por sermos "concorrência". É preciso que cada um procure seu caminho, fazer seu trabalho, e que ele seja autêntico. Acho possível fazer uma música de qualidade no Brasil hoje que seja de fato popular, e busco isso no meu trabalho. Acho possível reencontrarmos nosso espaço. Pode até ser esperança inocente minha, mas, somos jovens, melhor acharmos que é possível e termos essa esperança quase insana...”, finaliza a cantora.

Nota: Pré-lançamento do novo cd : FERIADO PESSOAL
10 de Junho
Teatro das Artes, Shopping Eldorado
Tel: 4003-2330
Obs: Matéria publicada na revista Ocas/dez08